Para a fabricação do leite e seus derivados há a necessidade de um grande consumo de água, gerando, assim, os chamados efluentes, os quais precisam de tratamento para que sejam devolvidos à natureza dentro das condições ideais exigidas pelos órgãos ambientais. Embora não exista apenas uma única maneira de tratar a água, uma técnica chamada biorremediação ou bioaumentação se destaca no tratamento de efluentes de laticínios. Ela está disponível no mercado e é uma maneira natural de tratar os resíduos líquidos gerados.

A técnica de biorremediação ou bioaumentação consiste na introdução de micro-organismos, cultivados e bioaumentados em laboratório, com o objetivo de biodegradar, ou seja, transformar os resíduos orgânicos poluentes presentes nos efluentes em resíduos inertes, não prejudiciais ao meio ambiente. “Esses micro-organismos são os mais utilizados, explica a engenheira Gisele Legramanti, gerente técnica e de operações da Enzilimp. A empresa é responsável pela implantação do método.

Por conta dos processos metabólicos, as bactérias transformam as moléculas orgânicas encontradas nos resíduos poluentes em água, gás carbônico e em outras moléculas inerte, devolvendo à natureza um efluente tratado.

O biorremediador pioneiro nessa técnica é utilizado para eliminar diferentes tipos de resíduos orgânicos, desde os gerados nas residências até os mais contaminados, como os industriais, segmentos no qual os lacticínios são o seu maior mercado consumidor. “Nosso produto auxilia a etapa do tratamento secundário trazendo vantagens para os sistemas de tratamento de efluentes”.

 

OBRIGAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE

As industrias de laticínios, assim como outras fábricas, devem solicitar ao órgão ambiental estadual – no caso do Rio Grande do Sul, a Fepam – uma licença de operação ambiental para a implantação de um sistema de tratamento de efluentes.

Nessa licença, constam os parâmetros exigidos para o lançamento do efluente final, no que diz respeito à carga poluidora a ser depositada nos corpos d’agua após o efluente gerado dentro da indústria ter passado pelo sistema de tratamento.

No caso de efluentes de laticínios, a característica do resíduo na água é variada. Ela possui uma fração orgânica e uma fração inorgânica. Sendo assim, o sistema de tratamento sugerido baseia-se em etapas físico-químicas e etapas biológicas. A utilização de somente uma ou outra terá que contemplar o tratamento da forma necessária, ou seja, que atenda aos requisitos exigidos pela legislação ambiental. Por isso, a sugestão é de que os sistemas de tratamento de efluentes de laticínios sejam formados por etapas físicas, químicas e biológicas.

 

A BIORREMEDIAÇÃO

– Reduz os maus odores

– Reduz as onerosas extrações mecânicas para a retirada dos resíduos que se acumulam na superfície e no fundo dos tanques e lagoas.

– Evita entupimentos nas tubulações

– Reduz o acúmulo de gordura nas caixas separadoras

– Reduz a carga poluente que se encontra no efluente, mantendo o efluente final dentro dos níveis exigidos pelos órgãos ambientais

 

OUTROS TIPOS DE TRATAMENTO

Físicos: caixas separadoras, peneiras, flotadores e decantadores

Químicos: tanques para o ajuste de PH com o uso de reagentes alcalinizantes e acidificantes, tanques de coagulação e floculação com a aplicação de produtos químicos específicos e também flotadores que, além de ser uma técnica física, pode ser utilizada com o auxílio de produtos químicos para uma melhor remição do resíduo poluente.

 

O BARATO SAI CARO

De acordo com a engenheira Gisela, o valor gasto no tratamento de efluentes vai depender da qualidade de investimentos que a empresa está disposta a investir para tratar seu afluente. Existem técnicas e equipamentos com valores agregados bastante altos e outras com investimentos menores, porem que não possuem tanta eficiência, mas que acabem sendo escolhidos pelos empresários por ter custo mais baixo, o que, no final das contas, acaba saindo mais caro. “Desta forma, o efluente final lançado na natureza pode não atender aos parâmetros exigidos, e a empresa acaba tendi problemas com o órgão ambiental e até com o Ministério Pública quando o problema fica mais grave e as multas acabem sendo grandes”, alerta. Assim, o custo parar tratar o efluente vai depender do comprometimento que as indústrias têm com o meio ambiente.